DISCUSSÃO SOBRE MUDANÇA NO REGIMENTO TERMINA EM TUMULTO E QUASE SUSPENDE SESSÃO DA CÂMARA DE CUIABÁ
A sessão ordinária da Câmara Municipal de Cuiabá desta quinta-feira (9) foi marcada por um intenso bate-boca entre vereadores, que culminou em uma confusão no plenário e levou a presidente da Casa, Paula Calil (PL), a ameaçar suspender os trabalhos. O episódio ocorreu durante o debate sobre a proposta de alteração do Regimento Interno, tema que tem gerado divergências entre parlamentares da base governista e da oposição.
O impasse teve início durante as discussões sobre o artigo 77 do Regimento Interno, que estabelece a necessidade de aprovação por dois terços dos vereadores para alterações no texto. A base do prefeito Abilio Brunini (PL) defende a adoção do quórum de maioria simples, medida que pode abrir caminho para que Paula Calil dispute a reeleição à presidência da Câmara.
Durante o debate, o vereador Wilson Kero Kero (PMB) relembrou um episódio envolvendo o atual prefeito, quando exercia mandato de vereador. Segundo ele, um processo de cassação contra Abilio foi anulado pela Justiça porque a votação não respeitou o quórum previsto na Constituição Federal, argumento utilizado para questionar a mudança das regras atuais.
Em resposta, Paula Calil afirmou que a presidência da Câmara analisa o dispositivo com apoio da assessoria jurídica e defendeu a alteração do quórum, classificando a maioria simples como um critério mais democrático. A parlamentar também rebateu as críticas direcionadas ao prefeito pela judicialização do tema.
"Eu vou lutar dentro da legalidade. É ilegal recorrer à Justiça? Pra quê serve a Justiça?", afirmou.
A vice-presidente da Câmara, Maysa Leão (Republicanos), contestou o posicionamento e criticou a decisão de recorrer diretamente ao Judiciário antes de esgotar as possibilidades de discussão no Legislativo. Para ela, o plenário deveria ter sido consultado antes da adoção da medida.
"O plenário é soberano. O plenário não foi consultado e foi direto recorrido à Justiça", declarou.
Na sequência, o vice-líder do governo, Demilson Nogueira (PP), utilizou a tribuna para rebater Maysa Leão. O parlamentar criticou a exposição de assuntos discutidos internamente entre os vereadores e fez declarações direcionadas à colega.
"Não vou servir a ela de escada. Passarei a tratar você com toda insignificância que você tem", disse.
Após as declarações, Maysa solicitou direito de resposta, alegando que sua honra havia sido atingida. O pedido foi negado por Paula Calil, sob o entendimento de que não houve ofensa pessoal passível de resposta regimental.
Inconformada, a vereadora deixou seu lugar e passou a cobrar a palavra em tom elevado. A reação mobilizou diversos parlamentares, que se aproximaram da tribuna, provocando um princípio de tumulto no plenário.
Diante da confusão, Paula Calil advertiu que poderia suspender a sessão caso a ordem não fosse restabelecida. Com a dispersão gradual dos vereadores, os trabalhos foram retomados e a sessão seguiu normalmente.
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