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ESTUDO APONTA AVANÇO DO ENDIVIDAMENTO RURAL EM MATO GROSSO E ACENDE ALERTA PARA O CRÉDITO NO CAMPO

Redação: Folha a Capital
10 de July de 2026 - 17:23
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ESTUDO APONTA AVANÇO DO ENDIVIDAMENTO RURAL EM MATO GROSSO E ACENDE ALERTA PARA O CRÉDITO NO CAMPO

O crescimento do endividamento dos produtores rurais de Mato Grosso passou a figurar entre os principais desafios para o agronegócio estadual. É o que revela um estudo elaborado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), que identifica aumento das operações de crédito com algum grau de comprometimento financeiro, resultado de um cenário marcado pela queda das cotações agrícolas, juros elevados e custos de produção ainda pressionados.

O levantamento compara dois momentos distintos do setor: o período entre 2017 e 2021, caracterizado por maior rentabilidade ao produtor, e os anos de 2022 a 2026, quando fatores econômicos passaram a reduzir as margens de lucro das atividades agrícolas.

Crédito rural cresce, mas pressão financeira aumenta

Mesmo diante das dificuldades enfrentadas pelo setor, o volume de crédito contratado pelos produtores mato-grossenses registrou forte expansão nos últimos anos. Os financiamentos passaram de R$ 15,58 bilhões na safra 2016/17 para R$ 47,43 bilhões em 2023/24.

Somente as operações destinadas ao custeio das lavouras de soja e milho cresceram de R$ 5,65 bilhões para R$ 15 bilhões no período, demonstrando a crescente dependência do financiamento para manter a produção agrícola.

Ao mesmo tempo, o aumento das taxas de juros e a elevação da Selic para 14,25% ao ano elevaram significativamente o custo das operações de crédito, reduzindo a capacidade de investimento e aumentando a pressão sobre o fluxo de caixa dos produtores.

Quase um quinto da carteira apresenta algum tipo de restrição

O estudo mostra que, até abril deste ano, o chamado crédito problemático — composto por operações inadimplentes, renegociadas e prorrogadas — atingiu R$ 21,79 bilhões em Mato Grosso.

O montante representa 18,22% de toda a carteira de crédito rural do estado, o maior percentual já registrado na série histórica do instituto. Em 2022, esse índice era de apenas 2,08%.

Segundo o superintendente do Imea, Cleiton Gauer, o principal desafio enfrentado atualmente pelos produtores está relacionado ao equilíbrio financeiro das propriedades.

"O produtor continua produzindo bem, mas esse esforço já não tem se traduzido em resultado financeiro. Além da produtividade, ele precisa administrar custos elevados, preços menores e um volume maior de dívidas acumuladas. Tornar a operação cada vez mais eficiente passou a ser fundamental para atravessar esse momento."

De acordo com o levantamento, mais da metade do crédito problemático corresponde a operações renegociadas, indicando que muitos produtores buscam reorganizar seus compromissos financeiros para manter a atividade.

Inadimplência e recuperações judiciais avançam

Outro indicador que chama atenção é a inadimplência superior a 90 dias, que alcançou 4,98% da carteira estadual, equivalente a R$ 5,25 bilhões em operações em atraso.

O estudo também aponta crescimento dos pedidos de Recuperação Judicial no agronegócio. Com base em dados da Serasa Experian, Mato Grosso lidera o ranking nacional desde 2023 e contabilizou, somente em 2025, 332 solicitações, superando Goiás e Paraná.

Para Cleiton Gauer, o cenário exige atenção, mas não representa um quadro de insolvência generalizada do setor.

"Em poucos anos saímos de um cenário em que cerca de 2% da carteira apresentava problemas para mais de 18%. Esse crescimento mostra que o principal desafio das próximas safras será a gestão financeira das propriedades."

Cenário exige eficiência e planejamento

Na avaliação do Imea, o aumento do endividamento decorre da combinação entre a redução dos preços internacionais da soja e do milho após o período de alta no pós-pandemia, a manutenção dos custos elevados de produção — influenciados, entre outros fatores, pelos reflexos da guerra entre Rússia e Ucrânia — e o aumento das taxas de juros.

O instituto destaca que o cenário reforça a importância do planejamento financeiro, da eficiência operacional e da gestão do crédito para garantir a sustentabilidade econômica das propriedades rurais nas próximas safras.

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